quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Só de Sacanagem

Posto aqui um texto que não canso de ler e reler, de Elisa Lucinda, cujo título é "Só de Sacanagem".
Logo, quero voltar a escrever com mais frequência. A Faculdade anda me consumindo.
Até mais, galera.

"Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
" - Não roubarás!"
" - Devolva o lápis do coleguinha!"
" - Esse apontador não é seu, minha filha!"
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:
“ - Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba.”
E eu vou dizer:
”- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”
Dirão:
" - É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
E eu direi:
” - Não admito! Minha esperança é imortal!”
E eu repito, ouviram?
IMORTAL!!!
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final."

terça-feira, 19 de maio de 2009

Ê saudade!

Lembro de ter lido um estudo feito há oito ou nove anos, no qual apontava "saudade" como sendo a sétima palavra no mundo mais difícil de traduzir para outra língua.
E a gente reclamando do português, hehehe. Porque, de fato, "saudade" é uma coisa que ninguém sabe como definir direito, mas todo mundo sabe a sensação provocada por ela. Pobres gringos que não têm essa definição em seus dicionários.
Em tempos de romantismos e pieguismos, "saudade" significava a sensação provocada pela ausência da pessoa amada. E não deixa de estar certo, mas a verdade é que essa sensação incide sobre tudo aquilo que amamos e gostamos.
Sentir saudade de uma grande paixão, de familiares, de amigos. Ah, esses últimos deixam mais saudade do que se possa imaginar! Isso porque quando o tempo passa, sabemos que eles são a parte mais presente de nossas lembranças: das festas mais divertidas, e daquelas que todo mundo acabou carregado para casa e ninguém lembrava de nada; dos jogos de futebol, seja no campo ou na frente da televisão; dos momentos em que nos reuníamos para estudar e o estudo acabava ficando para quando nos separássemos; dos momentos de tristeza que só eles poderiam ter presenciado, pois você não desabafaria com outra pessoa.
É, saudade realmente é complicado. E não só a tradução. Saudade dos amigos daqueles velhos tempos, então, é mais complicado ainda. Provavelmente pelo motivo de serem eles que construíram conosco os "velhos tempos" (como se eu tivesse 60 anos, mas não dá nada).
E se é complicada a saudade dos amigos dos velhos tempos, a saudade dos "velhos tempos", de lembrar como você era, o que fazia, do que e de quem gostava ou não, com certeza é muito mais complexa.
Quem viu que o tempo passou, ainda que não tanto, sabe do que eu falo. E do que eu sinto também.

Voltando à ativa

Reativando o blog! Aêêêê!