quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Imagine

"Imagine não haver paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
E acima apenas o céu

Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje

Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada pelo que lutar ou morrer
E nenhuma religião também

Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz

Talvez você diga que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só

Imagine não existir posses
Eu fico pensando se você conseguiria

Sem cobiça ou fome
Uma irmandade humana

Imagine todas as pessoas
Compartilhando o mundo

Talvez você diga que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só

(John Lennon)"

Às vezes me faz bem pensar assim. Ver o mundo apenas com olhos inocentes de uma criança. Mas já não sou criança. Sou um adolescente de vinte anos adentrando a vida adulta. Ou um adulto de vinte anos que vive na adolescência do seu espírito. E sentir saudade me faz pensar, refletir, sonhar.
Lembro daqueles que queriam um mundo melhor. Pessoas que fazem uma falta que nem eu mesmo descobri que fariam. Eu também sempre quis o melhor. Quando aquelas se vão, penso mais ainda em como aperfeiçoar o mundo. E, muitas vezes, encarando a realidade atual, o mais otimista dos meus pensamentos se esconde atrás de uma perspectiva pessimista-realista. O mundo sofre por coisas que não tem porque, que não deveria sofrer. O mundo sofre porque as pessoas sofrem.
A tristeza faz parte do ser humano e deve ser admitida dentro de nosso ego, pois esta obrigação de ser feliz que o mundo moderno nos traz é uma farsa e só induz à repressão de nossos sentimentos e a um consequente mal-estar constante, levando-nos a uma sociedade individualista e depressiva. A felicidade é o objetivo de todo ser humano vivente (com o perdão do apelo aristotélico), uma coisa a ser encontrada em nossa caminhada, em nossas experiências e reflexões, e não um incessante instrumento presente em nosso eu. Pessoas sofrem por não admitirem a tristeza, os insucessos da vida, a angústia e o desânimo como fatores a serem encarados, tratando de omiti-los sempre que possível. Pior ainda aqueles que têm a esperança, a fome de viver, desejos, bondade em seu coração, mas têm o seu direito de busca à felicidade para si, para aqueles que ama e para todos, porque não, retraídos de maneira injusta. Pessoas que sonhavam em acabar com os sofrimentos de muitos que tiveram retirado o seu direito à felicidade por um mundo materialista e crematístico, de uma vida, com o perdão do chavão, que nada se leva. A felicidade foi vendida e a humanidade não viu a cor do dinheiro. E o mundo chora.
Mas eu tenho olhos de criança. Não me faço de cego para a maldade e a corrupção do ser humano, sou apenas inocente. Não sou apenas um idealista, nem alguém que vive no mundo teórico. Sou mais. Sou uma mente alegremente ingênua. Mais que otimista, sou crédulo. Mais que alguém que pode proferir palavras inteligentes, posso sorrir e chorar. Sou muito mais que alguém dotado de inteligência e razão. Sou alguém com sentimentos. E, com certeza, sou muito mais do que uma pessoa com experiências, propósitos, idéias, perspectivas e ambições. Sou um Ser Humano.
É... às vezes me faz bem pensar assim.

P.S.: texto dedicado ao meu tio Geraldo, que não está mais conosco. Ele adorava essa música, assim como adorava Lennon e os Beatles. Saudades, tio. Fique bem onde quer que esteja.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Crimes contra a humanidade e mais de 20 anos de impunidade


Voltei para casa hoje após ver uma palestra sobre a Ditadura Militar na Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, aqui em Porto Alegre. Estava lá o Secretário dos Direitos Humanos, Paulo de Tarso Vannuchi. Juntamente com ele, tivemos o ministro de Direitos Humanos da Argentina, Eduardo Duahlde; o embaixador do Paraguai, Mario Sandoval; o jornalista uruguaio de La República, Roger Rodrigues; o jornalista gaúcho Nilson Mariano, autor do livro "Operação Condor"; o Deputado Estadual Adão Villaverde e o procurador da República e professor titular da Faculdade de Direito da UFRGS, Domingos Sávio.

Foi apresentado a nós, expectadores, um vídeo chamado "Tributo à Resistência" (recomendo a todos) como introdução ao assunto em pauta, narrando a história da luta contra o regime militar, principalmente a história dos "três Flavios" (que na verdade são dois Flavios e uma Flavia). Flavia Schilling, Flavio Koutzii e Flávio Tavares são três gaúchos símbolos da história de um movimento nacional de resistência a uma época de opressão em nosso país, os quais enfrentaram anos de prisão, exílio político e até mesmo a tortura. Os representantes dos países vizinhos relataram os casos de ditadura e opressão nas décadas de 60, 70 e 80 em suas respectivas nações. Nilson Mariano falou sobre seu livro, acima mencionado, que leva o nome da operação que formara aliança político-militar entre os vários regimes militares da América do Sul, criada com o objetivo de coordenar a repressão a opositores dessas ditaduras instaladas nos seis países do Cone Sul (Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai). Ainda, fora falado sobre a Lei da Anistia e sobre os presos políticos da época.

Passado o breve relato, quero chegar em um p
onto. O que me fez pensar bastante, é que todo mundo realmente sabe muito pouco sobre esse período de vinte anos da recente história brasileira. E afirmo isso, não por haver poucas pessoas que estudaram e se informaram sobre a época, mas pela gigantesca omissão de fatos e pelo mascaramento que há, mesmo após quase vinte e cinco anos de redemocratização do país. Os dados são impressionantes: 50 mil prisões apenas nos primeiros meses subsequentes a Abril de 64, mais de 20 mil torturados e, até hoje, 136 pessoas ligadas ao movimento de militância foram dadas como "desaparecidas" (um belo termo eufêmico, eu diria), sem nem sabermos sequer as circunstâncias de suas mortes. Há, ainda, casos famosos e escancarados, como o assassinato de Vladimir Herzog, diretor da TV Cultura ligado ao partido comunista, que fora torturado até a morte, e do estudante Edson Luis Lima Souto, morto durante uma passeata no Rio de Janeiro no ano de 1968, quando entrou em vigor o Ato Institucional 5, auge da repressão ditatorial.

Em casos como os citados acima, o governo do exército tentou encobrir durante anos, lançando a versão de suicídio no caso Herzog e de "defesa da polícia contra a rebelião juvenil" no caso de Edson Luis. Mas o que apavora mesmo é o fato de governos pós-ditadura terem encoberto torturadores e estupradores (um caso "comum") nas prisões políticas. O torturador do DOI-Codi de 1970 a 1974, Carlos Alberto Ustra, por exemplo, recebeu recentemente uma janta em sua homenagem com mais de 400 pessoas, sendo destas 200 da alta patente do exército. E a mídia nada notificou sobre tal ato. Inclusive tivemos generais ligados à ARENA, acusados de mandarem torturar diversos presos políticos, que foram ministros do governo Sarney e dos governos FHC, presidentes provindos de partidos da oposição formal e ineficaz durante a Ditadura Militar.

Nos anos 90, tivemos a chance de abrir os arquivos da ditadura, diante da pressão popular nos países sul-americanos que sofreram regimes ditatoriais. No Chile e na Argentina, por exemplo, puniram-se os executores e os cabeças da "Operação Condor" em território nacional. O caso de "La Polaca", uma fazenda de gado que no período da ditadura argentina fora usada como campo de tortura pelo seu governo, causou revolta na população nacional e já estima-se que foram mortas no período do regime mais de 30 mil pessoas. No Chile, os defensores do governo Pinochet foram todos expulsos do exército e de cargos públicos.

E no Brasil? Aqui, o dado oficial é de 366 mortos e desaparecidos. Por favor! Alguém acredita nisso!? Pior que aparentemente sim. Desde a redemocratização, políticos ligados à Ditadura Militar continuam se elegendo. Os meios de comunicação fazem questão de dizer que discutir sobre a questão da tortura e dos direitos hum
anos violados durante a Ditadura é prescindível, inclusive alguns chegam ao absurdo de fazer menção que tortura e censura são "exageros" que os militantes contrários ao regime "inventaram". A rede de telecomunicação que apoiou e foi a voz do regime militar domina o país e obtém um monopólio de informação (e deformação) digno do Cidadão Kane. A Carta Capital, uma das poucas revistas de grande veiculação a tratar com seriedade sobre o assunto, é tachada como uma "revistinha de esquerda revolucionária que não pode ser levado muito a sério". Cidadãos de todas as classes começam a ter uma tendência de afirmar, a partir do pensamento formado pela mídia, que "na ditadura não tinha esses problemas de corrupção, violência e essas m... todas aí". Aqueles que protestaram só tiveram problemas por "serem todos uns arruaceiros marginaizinhos" (sendo que há vários relatos que confirmam diversas prisões pelo simples fato de cinco pessoas se reunirem num bar e falarem de política, acusados de "conspiração", e de diversos presos políticos detidos não por protestos, mas apenas por serem filiados ao Partido Comunista Brasileiro), enquanto "os que trabalharam dignamente, sem ter aspirações políticas, nunca tiveram problemas". Tentam nos convencer até hoje que as duvidosas mortes de João Goulart, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda nada têm a ver com a Ditadura, mesmo sabendo que todos eram opositores ao governo militar e políticos de elevado respeito. "O Jango teria feito do Brasil uma outra Cuba". Falam do tal "milagre econômico" como se fosse o Brasil tivesse sido um exemplo de social-democracia ao melhor estilo Welfare State. Só esquecem de comentar que, "misteriosamente", esse é o período que a dívida externa se alastrou e que a inflação crescia a passos de Usain Bolt, resultado de imensos empréstimos e uma política mal planejada.

Isso tudo me preocupa. Muito! Nas décadas de setenta e oitenta vimos de braços cruzados as favelas se proliferarem, resultado do êxodo rural e do abandono à população pobre, e o tráfico virar o método de
organização militar paraestatal a ser instalado naquelas. A violência não surgiu com o fim da ditadura. Apenas deixou de ser exclusividade das camadas sociais mais baixas, desceu do morro e começou a aparecer na televisão. Junte isso ao fato de que na época da Ditadura você não precisava ser a favor do governo, só não podia se manifestar contra. Vinte anos desse pensamento e temos uma geração totalmente desinteressada na política, cujos flihos bradam que política "é para manés crentes e imbecis". Uma geração que é incapaz de enxergar além do que vê. Direitos humanos são vistos por muitos como "proteção injusta à bandidagem". Ditadura militar traz saudosismo a alguns. "E o cidadão de bem, assaltado na porta de casa saindo pro trabalho? Ah! Essas coisas não aconteciam na Ditadura! Esse Brasil é o país da impunidade!" Com essa última frase eu concordo. O Brasil é o país da impunidade e da memória curta. Ninguém protesta por seu direito à memória e à verdade. E vinte anos de um golpe que derrubou o presidente constitucional e instalaram a opressão e a decadência do país vão saindo impunes, à francesa. Ando apavorado! Cadê meu povo? Socorro!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

"Eu sempre quis ter um blog"


É engraçado como as pessoas são sedentárias hoje em dia. Quanto mais acessíveis as coisas são para nós, menos nos movemos para alcançá-las e cada vez ficamos mais "naturalmente preguiçosos". A verdade é que eu sempre quis ter um espaço para escrever. Sempre quis poder exprimir meus pensamentos e escrever o que eu penso. Eu sempre quis ter um blog. Mas, céus, se vocês soubessem o que eu demorei para criar um. Fiz isso anteontem e, nossa! Como foi fácil! Foi dar um ou dois cliques... e estava ali. Fiquei até com vergonha de ver como posso ser tão preguiçoso às vezes.
Daí volto àquele velho pensamento: a tecnologia ainda vai matar o ser humano. Tecnologia deveria ser, pelo menos em seu conceito inicial, tudo aquilo que o homem produz para ajudá-lo em suas funções (para não limitar à palavra" trabalho"). Enfim, deveríamos usá-la para nos facilitar e ajudar a resolver os problemas que o árduo processo da evolução física e social do ser humano traz à tona. Mas estamos sempre mais preocupados em como os aparatos da inovação facilitarão o nosso dia-a-dia para podermos ficar mais relaxados e fazermos menos esforço (o próximo passo é vegetar).
ATITUDE GENTE! Não deixe a humanidade ficar sedentária. O sedentarismo leva à preguiça mental, e isso é o que faz pessoas como nós, que nunca prejudicaram ninguém, que querem ajudar alguém (ou o mundo inteiro) ficarmos parados.
Eu já criei um blog! Agora só falta reativar minha conta no Recanto das Letras.
Quem quiser conferir: http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=11757

Abraço a todos!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Brasil: um país de ingratos


Lendo o texto do pai de um amigo meu em seu blog, indentifiquei-me no pensamento da mensagem trazida por ele e resolvi escrever sobre o assunto do momento: Olimpíadas de Pequim. Na verdade, é mais específico. Queria falar do "fracasso" do Brasil que todos andam comentando e debochando. Sinceramente, quando os jogos começaram, também esperava que o Brasil ganhasse mais do que três medalhas de ouro. Sim, a expectativa era grande. Na Olimpíada marcada pelas obras faraônicas e pela comoção de uma nação cerrada para os olhares estrangeiros até tempos recentes, esperávamos muito de nossos atletas. Daí comecei a me perguntar: "por que estamos esperando tanto"?

Metaforizando, penso em nós, o povo brasileiro, como se fôssemos aquela vizinha chata do primeiro andar, aquela a qual é impossível sair do prédio sem que ela apareça para ench... puxar conversa quando menos queremos. Já os atletas, imagino como aquele vizinho do apartamento de cima, um pobre adolescente vestibulando, que ralou estudando o ano inteiro para passar em Medicina na Federal. A vizinha chata nunca telefonou para ele que não fosse pelo motivo de mandar o guri abaixar aquela música infernal, mesmo que ele estivesse ouvindo Roberto Carlos no sábado à tarde. Ela nunca parou para falar com ele, a não ser quando ele estava atrasado para a aula, afinal já era intolerável a situação incômoda da vizinha do 83 ter um cachorro, imaginem só. Na verdade, ela nunca se importou com ele, lembrou dele, nada! EXCETO... na semana que antecede o vestibular, claro! O adolescente anda numa mescla de nervosismo, logaritmos, hormônios explodindo de seu corpo, respiração celular, revolução francesa, querendo que aquela PORRA DAQUELA MERDA DO VESTIBULAR PASSE LOGO DE UMA VEZ (mencionei o stress? Esses vestibulandos se estressam). Então, ele saindo para uma das últimas aulas antes da hora da verdade, E... adivinhem quem aparece? ISSO! AQUELA MALA DA VIZINHA! E ela não poderia dizer nada melhor: "Viu!? Tem vestibular semana que vem, né? To sabendo que tu vai fazer, sei que tu vai passar, vai lá!” SÉRIO??? TEM VESTIBULAR SEMANA QUE VEM?? Que bom que tu me avisou, ou eu ia esquecer! Afinal, NEM TÔ PRA ESSA MERDA! Era tudo mentira essa história de que eu ficava socado no meu quarto estudando 4 horas todo santo dia, depois da minha aula. Porque na verdade eu ficava tentando aprender Voodoo, exorcismo ou QUALQUER MERDA QUE FIZESSE A SENHORA MORRER OU SUMIR DA MINHA VIDA, CARALH...!!

Pois é, esses vestibulandos são estressados. A pressão é complicada, mas mesmo depois do “agradável” encontro e da vontade de gritar tudo que eu escrevi ali em cima, eles olham e dizem: “obrigado”. Mesmo que não seja sincero, eles agradecem ainda. Somos nós, essa maldita vizinha. Desde quando, antes das Olimpíadas, Pan-Americano, nos importamos com as jogadoras do time feminino de futebol? Responda rápido: em que time a melhor jogadora do mundo, Marta, joga? Difícil, né. Onde é que o César Cielo treina mesmo? O nome Jadel Gregório te lembra algo? Tá complicado. Vamos facilitar. Nenhum de nós se preocupou com nenhum desses atletas antes da Olimpíada. Esperamos algo deles apenas quando eles apareceram na tela da Rede Globo com o insuportável Galvão Bueno dizendo o tempo todo pro atleta (como se ele ouvisse) “é o Brasil inteiro com você, vamos lá!” Desde quando o Brasil esteve com eles? É fácil falar da falta de apoio e de investimento. Até parece que vai cair do céu, como o povo anda pensando. Será que tem a ver com o fato de irmos até o estádio ver um simples treino de nossos times de futebol, ou de lermos a semana inteira sobre quem vai começar jogando ou não no próximo Grenal? E o atletismo, a natação? Nem damos bola. Não quero vir aqui acusar ninguém de gostar de futebol, eu também sou um aficionado. Mas acho que deveríamos todos dar essa audiência, esse olhar a mais para os outros esportes.

Não sabemos participar de nada, nem dar um apoio sequer. No Brasil não se aprende isso. Aprendemos a ir pra escola para cuidarmos de nós mesmos e fazer o nosso. Expor-se só vale a pena se isso trouxer fama e reconhecimento, críticas e desafios estão fora de questão. Se eu fizesse uma pesquisa de campo e perguntasse aos brasileiros nas ruas se eles sabem o nome de jogadores da Portuguesa, creio que até se sairiam bem. Agora, se eu perguntar aos mesmos o nome de judocas brazucas que foram a Pequim, hummm... complicou. Futebol traz reconhecimento e fama em grande escala, e nisso vale a pena investir, porque terá retorno. Não é difícil pensar como um empresário, como um investidor ou como a mídia.

Enquanto vários países se organizam, conscientizam sobre a questão do esporte na vida do indivíduo e da sociedade, trazem crianças e mais crianças para se tornarem atletas de todas as modalidades, esperamos, em nossa nação, que apareça um talento provindo do berço, uma exceção à regra que o pai tem dinheiro o suficiente para patrociná-lo e este se tornar um atleta de alto nível. Chegamos a Olimpíada com um cara ali que salta bem, uma outra ali que dá uns passinhos bonitos na ginástica, o fulano acolá que corre bastante. Uma meia dúzia de talentos que não teve nem concorrentes a sua altura nos eventos anteriores agora enfrentam equipes de vários países muito bem preparadas. E nós QUEREMOS medalhas destes, pois precisamos ver o Brasil afirmar-se em algo, nem que seja o esporte (já que no dia-a-dia tapamos os olhos pro resto).

Agora pensem comigo: onde há mais chances de se achar um Michael Phelps? No país que traz centenas de milhares de crianças e adolescentes para as piscinas, estimula a participação delas e a competitividade dentro de um espírito esportivo? Ou no outro, que espera a cada ano SURGIR um ser talentoso, dedicado, que superou a falta de incentivo geral, deu duro, treinou sem concorrência de seu nível e chega lá sozinho? Penso eu, simplesmente, que se eu criar 1000 nadadores profissionais, a chance de eu ter atletas Olímpicos é maior do que se eu criar 50. Penso também que se eu mantiver o bom nível do primeiro caso, incentivá-los a continuar e prepará-los, ajudando enquanto governo, consigo mandar pelo menos 40 atletas de minha delegação para a Olimpíada. No segundo caso, sem nenhum dos elementos anteriores, com sorte levo uns 6, sendo uns 2 ou 3 de nível relativamente alto. Aula básica de probabilidade: baseando-se nas informações acima, quem tem mais chance de levar várias medalhas, criar ídolos e conquistar o lugar mais alto do pódio. Fácil, não?

Vemos alguém chegar numa Olimpíada sem nem saber o nome da pessoa, mas cremos piamente que temos ali uma chance clara de medalha. Isso enquanto esperamos a Seleção entrar em campo. Ao mesmo tempo, dois países esperam com veemência o jogo de Pólo Aquático e seus grandes atletas, torcendo para que dê tempo de poder ver ainda o Handebol e depois a final dos Saltos Ornamentais, afinal, são todos atletas que aqueles cidadão sabem que merecem seu apoio. E o povo brasileiro, olhando e dizendo “olha lá, que vergonha esse cara... não ganha nada!” ESSE CARA! Porque não sabem nem o nome do infeliz. Não sabemos nem nos organizar como povo, como uma gigantesca equipe, como coletividade, como pátria, como Estado. Tudo aqui é o heroísmo individual (como falou o Jabor). Ninguém nunca fez nada por ninguém e agora o povo se acha no direito de esperar que façam de tudo por ele. E olha que nem falei de coisas como corrupção, educação precária ou alienação geral, coisas que o povo sabe mas "deixa pra lá" nesse texto.

Parabéns equipe feminina de vôlei é uma vitória de VOCÊS, da EQUIPE que vocês são! Parabéns Maurren! O ouro é TEU E SOMENTE TEU! Parabéns César pela TUA SUPERAÇÃO e pela TUA vitória! Aos outros medalhistas, os mais sinceros parabéns por terem chegado tão longe e trazerem esta lembrança para casa. Aos outros que participaram e não ganharam medalhas, parabéns por serem vencedores, por viajarem e representarem um país, mesmo que ele não dê nenhum crédito ou reconhecimento a vocês. Quanto ao deboche do povo e a frases como “mas que fiasco esse país de m...”, penso nos atletas que carregaram a bandeira com orgulho. Não deveriam tê-lo feito. Aí, volto lá atrás e lembro da vizinha mala. E fico me questionando o que se passa na cabeça do guri que volta pra casa e encontra-a perguntando: “Passou?”

Bem-vindos

Olá, gurizada! Para todos aqueles que não leram a apresentação e não me conhecem, eu sou o Samuel, mas podem me chamar de Mucão!
Críticas e comentários serão bem-vindos aqui. Espero que me ajudem a fazer desse um espaço proveitoso.

Abraço a todos.